A ministra Margarida Blasco recusou comentar o facto de o capítulo dedicado a organizações extremistas ter sido retirado da versão final do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), publicado no site
do Governo na terça-feira. O Bloco de Esquerda solicitou esclarecimentos sobre esta alteração, já que o RASI enviado ao Parlamento omitiu as páginas 35 a 39, que na versão preliminar abordavam "extremismos e ameaças híbridas". Essas páginas alertavam para a presença em Portugal de um braço de uma organização extremista internacional, classificada como terrorista noutros países e envolvida em atividades como recrutamento e financiamento através de eventos musicais.
O Sistema de Segurança Interna (SSI) confirmou que existiu uma "versão de trabalho" com essa informação, mas a versão oficial apresentada no Conselho Superior de Segurança Interna e publicada no site
do Governo não a incluiu. O SSI não explicou o motivo da remoção, limitando-se a afirmar que a versão final reflete as decisões tomadas no Conselho. O Bloco de Esquerda considera que a alteração levanta questões e exige saber quem ordenou a eliminação do capítulo e se o Governo pretende enviar uma nova versão ao Parlamento com a informação original.
Este ano, o RASI não foi apresentado publicamente pelos responsáveis habituais, como é costume. O primeiro-ministro Luís Montenegro falou na conferência de imprensa após a reunião do Conselho, sem revelar detalhes do documento. Margarida Blasco justificou a ausência da apresentação formal com o facto de o Governo estar em gestão, destacando as declarações do primeiro-ministro.