O estudo “Automação e inteligência artificial no mercado de trabalho português: desafios e oportunidades” analisou 120 profissões em Portugal, classificando-as de acordo com a sua exposição às mudanças tecnológicas, como a inteligência artificial (IA) e a automação. O objetivo foi avaliar os potenciais efeitos destrutivos e transformativos destas tecnologias.
Principais Conclusões:
- Profissões em Ascensão: Representam 22,5% do emprego em Portugal e são as que mais podem beneficiar da digitalização e da IA.
- Terreno das Máquinas: 12,9% das profissões podem usufruir de ganhos de produtividade com a IA.
- Terreno dos Humanos: 35,7% dos trabalhadores estão em profissões pouco expostas à automação, mas também com baixo potencial de transformação.
- Profissões de Colapso: 28,8% dos trabalhadores estão em profissões com "sérios riscos" de desaparecer devido à disrupção tecnológica. Este grupo inclui profissões como "outros trabalhadores relacionados com vendas" (5,3% do emprego), "outras profissões elementares" (3,1%) e "empregados de mesa e bar" (2,5%).
Desafios:
- Desigualdades: Os trabalhadores em "profissões de colapso" têm, em média, rendimentos mais baixos e menos qualificações. Apenas 5,4% têm ensino superior, comparado com 63,4% nas "profissões em ascensão".
- Vulnerabilidade: Estes trabalhadores estão mais expostos ao desemprego ou ao emprego precário, exigindo "soluções urgentes" para a restruturação ou desaparecimento dos seus empregos.
Recomendações:
- Requalificação: Priorizar programas de requalificação para trabalhadores em "profissões de colapso".
- Proteção Social: Reforçar os mecanismos de proteção social para mitigar o impacto no sistema de Segurança Social.
- Educação: Atualizar os currículos escolares e académicos para incluir literacia digital, ferramentas de IA e competências analíticas.
- Incentivos às Empresas: Promover a adoção de tecnologias emergentes através de subsídios, benefícios fiscais e apoio técnico.
O estudo, coordenado por Rui Baptista, do Instituto Superior Técnico, alerta para a necessidade de políticas ativas que preparem o mercado de trabalho para as mudanças tecnológicas, garantindo a adaptabilidade e a proteção dos trabalhadores mais vulneráveis.